Cambuci, taperebá, graviola, são algumas das frutas que muitas pessoas nunca ouviram falar ou nem as experimentou. Assim como o caju e o açaí, são espécies nativas do Brasil, ricas em nutrientes e que trazem muitos benefícios à saúde, além de acrescentar um toque especial na culinária.

Márcia Daskal, nutricionista e porta voz da Campanha Doce Equilíbrio, explica que um dos motivos pelos quais existem tantas frutas nativas desconhecidas pelos brasileiros é a vasta biodiversidade do país. “Muitas delas são super comuns e consumidas todos os dias em determinada região, mas a maioria das pessoas de uma região oposta nunca nem ouviu falar.”

A nutricionista acrescenta ainda a facilidade com que as frutas crescem no Brasil e como isso deve ser valorizado. Márcia explica que durante muitos anos o país não contava com estudos que mostrassem os benefícios dos nossos produtos naturais, em detrimento dos estrangeiros, que tinham suas vantagens amplamente divulgadas. Isso fez com que houvesse uma grande valorização das frutas importadas. “Chefs de cozinha conceituados começaram a usar e a divulgar mais as nossas frutas e com isso iniciou um processo de redescobrimento das nossas riquezas. Além disso, já temos diversos estudos que mostram os vastos benefícios dos produtos nativos.”

O antropólogo Raul Lody explica que ocorre um processo de globalização focado na gastronomia e nos alimentos, não só como forma de nutrir o corpo, mas também de perpetuar memórias culturais e reforçar identidades. De acordo com ele, o sistema alimentar do Brasil é um dos cinco mais complexos e diversos do mundo. “Temos mais de dois mil tipos de mandioca nativas. O processo de valorização do nosso alimento passa pela consciência que precisamos ter da riqueza das nossas fontes.”

 

E há restrições?

O mestre em nutrição humana e professor Aldemir Soares Mangabeira Júnior menciona recentes publicações que surgiram nas redes sociais associando frutas ao ganho de peso ou mesmo a problemas de saúde. O especialista esclarece que, em geral, a densidade calórica das frutas não é alta e o consumo só pode se tornar um problema em casos exagerados. “O único problema seria comer muito de uma vez só, como uma pessoa que consome cinco bananas de uma tacada, mas uma porção de fruta por dia, por exemplo, não faz mal”, afirma. Aldemir afirma que o consumo de frutas será sempre incentivado e, nos casos de dietas específicas, é importante que elas sejam inseridas associadas a outros alimentos. Ele acrescenta ainda que existem raros casos de pessoas com intolerância à frutose – o açúcar da fruta. Para os diabéticos, o problema se encontra na ingestão exagerada. “No caso de quem tem diabetes, existem outros princípios mais importantes que não podem ser desconsiderados, como a importância de associar uma proteína com carboidratos para modificar o índice glicêmico.”

 

Os nutrientes e suas vantagens

 

  • Vitamina A – Auxilia na visão, convertendo a luz recebida pelos olhos em sinais cerebrais. Também age na defesa do organismo no combate às infecções e na produção de glóbulos brancos.
  • Vitaminas do complexo B – Como um conjunto, são fundamentais na conversão dos alimentos em energia. A vitamina B1 auxilia o corpo na produção de novas células e ajuda a proteger o sistema imunológico. A B2 é antioxidante e ajuda no combate aos radicais livres, ajudando a prevenir o envelhecimento precoce e as doenças cardíacas. A B3 auxilia na obtenção de colesterol bom, o HDL. A vitamina B6 auxilia a produção de serotonina e melatonina.
  • Vitamina C – Rica em antioxidantes, auxilia no combate aos radicais livres. Além disso, produz e nutre o colágeno e tem propriedades anti-inflamatórias.
  • Potássio – Auxilia no equilíbrio do nível de água do organismo, na regulação da pressão arterial, no equilíbrio dos músculos e ajuda na prevenção contra câimbras.
  • Ferro – É responsável por transportar oxigênio para as células do corpo e tem importante papel na produção de células vermelhas do sangue.
  • Fósforo – É um nutriente importante na formação dos dentes e dos ossos. Auxilia também na contração dos músculos

 

Benefícios à saúde

Separamos frutas nativas que podem ser consumidas de diversas formas sem que seus nutrientes se percam.

 

Caju

Costuma ser encontrado em abundância no primeiro semestre do ano. Cada unidade tem cerca de 40 calorias e muita fibra. É rico em vitaminas C, A e B.

 

 

 

 

 

 

 

» Como consumir: é uma opção para a reposição pós-atividade física em forma de sucos. No Nordeste, o caju verde (parte da castanha) é conhecido como maturi e usado no preparo de refogados. A polpa também pode ser aproveitada em pratos salgados.

 

Graviola

É rica em vitamina C, potássio, magnésio, ferro e zinco, além de ter em abundância as vitaminas B1, B2, B3 e B6.

 

 

 

 

 

 

» Como consumir: quando está verde, pode ser cozida e degustada como um legume. É também comumente consumida in natura e em forma de sucos, sorvetes e mousses.

 

Taperebá ou cajá

Tem cor alaranjada e sua safra costuma ocorrer no primeiro semestre. Com casca lisa e fina, é muito aromática e rica em vitamina A, ferro e fibras. Tem carotenoides e baixo valor calórico.

 

 

 

 

 

 

» Como consumir: é mais usada em forma de sucos, batidas e sorvetes, mas também pode servir de acompanhamento em pratos salgados.

 

Cambuci

De sabor azedo, é também adstringente, tem fibras e alto teor de vitamina C e sais minerais, como sódio, potássio e magnésio.

 

 

 

 

 

 

 

»Como consumir: por ser azeda, raramente é consumida in natura. Por ter muita água na composição, pode ser ingerida como suco, com açúcar. O sabor ácido faz com que seja muito usada em molhos para peixes, carnes e aves.

 

Cupuaçu

Originário da Amazônia e de polpa abundante e ácida, é considerado ótima fonte de energia. Ganha destaque por sua função antioxidante e é rico em cálcio e fósforo, além das vitaminas A, B1, B2 e C.

 

 

 

 

 

 

» Como consumir: o sabor azedo e suave é apreciado em sucos, vinhos e licores, além de ser muito usado para o recheio de chocolates e em doces, bolos e tortas. Na Região Norte, costuma ser ingerido in natura.

 

Jaca

Apesar de não ser uma fruta nativa do Brasil, é cultivada no país há centenas de anos e está fortemente integrada ao nosso sistema alimentar. Sua textura é muito viscosa, o que confere um status de “ame ou odeie”. A viscosidade faz com que a fruta seja uma boa alternativa para quem sofre com problemas intestinais – é rica em fibras solúveis. Também tem fósforo, potássio, vitaminas C e do complexo B e é abundante em carboidratos.

 

 

 

 

 

 

 

» Como consumir: a fruta costuma ser consumida in natura ou em doces. Nos últimos anos, ganhou destaque como ingrediente em pratos veganos e vegetarianos. Antes do amadurecimento, é recheio de coxinha e usada em estrogonofe e fricassê. Quando cozida e desfiada, tem textura semelhante à do frango.

 

Fonte: Estado de Minas
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