Cultivado no Oriente desde a Antiguidade, o ginseng é uma planta muito rica. De imperadores chineses a astronautas e atletas olímpicos, tem sido usada como afrodisíaco, energizante e rejuvenescedor. E ainda acrescenta um sabor especial a sucos e outras receitas.

Antes de serem registradas pela primeira vez no herbário chinês no primeiro século a.C., as propriedades medicinais do ginseng coreano – panax ginseng – já eram conhecidas pelos chineses ancestrais através da tradição oral.

No século XVII, os missionários descobriram o valor medicinal da erva e a levaram para os Estados Unidos. Na década de setenta, a raiz foi introduzida definitivamente no mundo ocidental, transformando-se numa verdadeira panaceia milagrosa.

Mas o ginseng coreano não é o único vegetal de sua espécie a desfrutar da fama. O ginseng americano – panax quinquefolius – cultivado pelos nativos americanos, e o ginseng brasileiro- pfaffia spp – também são bastante utilizados, todos com propriedades energizantes, estimulantes e regeneradoras.

 

As diversas propriedades da erva

 

Qualquer que seja a origem da planta, a parte aproveitada é a raiz que, curiosamente, tem o formato de um ser humano, justificando o modo pelo qual os chineses a conhecem, jenshen, e a maneira como os índios americanos a denominam, garantoquen, que significa semelhante ao homem.

Por sua similaridade com o corpo humano, acreditava-se que a erva tinha poderes curativos amplos. De acordo com esta crença, era preciso associar à parte do corpo que estivesse doente a fração correspondente do vegetal.

A nutricionista Jackeline Araújo Huguet diz que as propriedades dos três tipos de ginseng são parecidas. “O ginseng coreano é composto de vitaminas B1, B12, B2, C e ácido fólico. Possui também ferro, cobalto, cobre, cálcio, manganês, magnésio, esteroides semelhantes aos hormônios sexuais, ácidos graxos, enzimas e Alantoína. Já o ginseng americano possui saponinas, substâncias que reduzem a tensão superficial do sangue, facilitando sua absorção pelo organismo e as moléculas de glicose. Por sua vez, o ginseng brasileiro tem vitaminas A, C, D, E e complexo B, fósforo, cálcio, potássio, ferro, ácido fáfico, aminoácidos e Alantoína. As várias composições determinam os diferentes usos. O chá, por exemplo, só pode ser feito com os ginsengs coreano e americano, enquanto o brasileiro não se utiliza na fito cosmética”, explica.

Entre os chineses, o ginseng foi tão valorizado como droga botânica que chegou a ter status de moeda para pagamentos de tributos. Suas mais antigas plantações encontravam-se na Manchuria – onde hoje é a Coréia do Norte.

Atualmente, os estudos sobre o valor medicinal do ginseng escaparam da tradição oriental e chegaram no Ocidente. Do aumento da performance em cavalos, passando pela diminuição da fadiga de astronautas e atletas olímpicos, até o aprofundamento da pesquisa da raiz para a cura do câncer, o vegetal tornou-se assunto de pesquisa. O medicamento natural foi comprovado como responsável pelo estímulo da síntese de proteínas que diminuem o açúcar no sangue, reduzem o colesterol, regulam o metabolismo e protegem contra o estresse.

 

Os três tipos e suas propriedades

 

Embora todos os três apresentam diversos benefícios para o organismo, cada um deles tem características próprias. Antes de tomar comprimidos, cápsulas ou tintura de ginseng, recomenda-se procurar um especialista, para evitar superdosagem e outros riscos à saúde. O uso fitoterápico é contra indicado para gestantes e lactantes.

 

  1. Ginseng Coreano

 

Originalmente encontrado na China e Coréia. Hoje é cultivado no Japão, Nepal e Rússia. Por sua ampla gama de atividades terapêuticas é considerado um fitoterápico universal, que não precisa ser combinado com outras ervas.

Principais ações

  • Estimula o sistema nervoso
  • Estimula o apetite e as atividades orgânicas em geral
  • Analgésico leve
  • Combate a anemia quando há carência de ferro ou ácido fólico
  • Reduz níveis séricos (sanguíneos) e hepáticos de colesterol quando há hipercolesterolemia
  • Atua como cicatrizante e regenerador celular (Alantoína)
  • Tem ação protetora contra agentes físicos e biológicos e aumenta a imunidade
  • Potencializa a ação da insulina na diabetes tipo 2
  • Hidrata peles secas e irritadas

Efeitos colaterais

Em doses acima de 8g/dia pode causar nervosismo, hipertensão, insônia e diarreia.

 

  1. Ginseng Americano

Valorizado por tribos indígenas da América do Norte, o panax quinquefolius chamou a atenção dos colonizadores no século XVIII, no Canadá, quando um missionário jesuíta percebeu que a planta era idêntica ao ginseng coreano. A partir daí seu cultivo se desenvolveu, saindo de Québec e de Manitoba para vários estados do interior dos Estados Unidos até a Flórida. A exportação da erva expandiu-se até o Oriente, onde é considerado mais eficiente do que o coreano para problemas gastrointestinais.

Principais ações

  • Estimula o sistema imunológico
  • Combate a fadiga e o estresse
  • Potencializa a ação da insulina na diabetes tipo 2
  • Problemas gastrointestinais

Efeitos colaterais

Insônia e agitação, quando associado à cafeína.

 

  1. Ginseng Brasileiro

O pfaffia spp é encontrado no Brasil, principalmente nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, próximo ao leito dos rios. É conhecido como ginseng porque sua raiz tem aspecto semelhante ao coreano.

Principais ações

  • Aumenta o número de glóbulos vermelhos e a taxa de hemoglobina no tratamento da anemia
  • Potencializa a ação da insulina na diabetes tipo 2
  • Reduz visivelmente a fadiga física e mental
  • Diminui o estresse
  • Melhora a depressão
  • Analgésico leve
  • Cicatrizante e regenerador celular (Alantoína)

Efeito colaterais

Em doses acima de 8g/dia pode causar insônia, hipertensão, nervosismo e também diarreia.

 

Pequena mais muito rica

O ginseng é uma erva perene de aproximadamente 60 a 80 cm de altura. Suas raízes carnosas e aromáticas podem atingir um metro em 10 anos. O caule é simples, ereto e avermelhado, as flores de cor rosa e os frutos, pequenas cerejas vermelhas. O sabor é adocicado no início e amargo no final, exigindo condições especiais de florestas de solo rico e clima fresco.

É uma planta de vida longa, havendo registros de exemplares de 300 anos. Na China antiga, sua idade era contada pela quantidade dos anéis de sua raiz. Quando mais antigo, mais precioso o vegetal, pois acreditavam que a planta transferia sua longevidade para as pessoas que o consumiam.

O ginseng é mais uma prova de que encontramos na natureza tudo de que precisamos para uma vida saudável. Com uma alimentação rica e balanceada, o organismo funciona melhor e ficamos menos vulneráveis a agentes patogênicos oportunistas.

 

Receita para testar à mesa

Suco estimulante

O suco é rico em ferro contido no ginseng e no melado; vitamina C, encontrada na laranja e no morango, e vitamina E obtida no gérmen de trigo. Além disso, por ser rico em fibras, estimula o funcionamento do intestino. Deve ser consumida pela manhã.

Ingredientes

  • Suco de 2 laranjas
  • 1 saco de polpa de morango
  • 100 ml de água
  • Colher de chá de ginseng coreano em pó
  • 1 colher de sobremesa de gérmen de trigo
  • 1 colher de chá de melado de cana

Bata todos os ingredientes no liquidificador e tome imediatamente. Rende aproximadamente 280 ml.

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