Eles são a plataforma de sustentação do corpo mas, nem sempre recebem os cuidados que merecem. Espremidos em sapatos de bico fino, forçados a se equilibrar sobre saltos altíssimos, acabam dando sinais de cansaço. Calos e joanetes causam dor e enfeiam os pés.

Veja como evita-los.

Os principais inimigos, já se sabe, são o formato bico fino, os saltos altos e os calçados rasteiros.

“É necessário levar em consideração qualquer problema que limite o desempenho da caminhada ou que altere a postura ortostática (quando se está de pé) como dor, joanete, calosidade e esporão calcâneo. Eles estão mais relacionados à anatomia dos pés, bem como à sua mecânica ou ao uso de calçados inapropriados,” esclarece o ortopedista Odenice Souto.

A dor limita a função, ou seja, faz com que pisemos errado para tentar contorna-la, e causa cansaço. Podem ocorrer sensação de peso, fraqueza ou até câimbra nos pés. “Ela pode ser manifestar de diversas maneiras, à noite, no início da caminhada, quando nos levantamos ou colocamos o pé no chão”, afirma o médico.

Calos e joanetes

Um dos problemas mais frequentes são os calos ou calosidades, espessamento da pele após pressão ou atrito no local, por exemplo, devido ao uso de calçados inadequados. Trata-se de uma reação da queratina (proteína encontrada em nosso corpo) para proteger a região machucada. Como todo processo inflamatório, provoca dor. Em casos mais graves, pode ocorrer infecção e atingir o osso.

O joanete se forma devido à pressão dos calçados de salto alto e bico fino, que apertam os dedos. “O salto desloca o peso do pé para a frente e o bico estreito força a estrutura. A hereditariedade também influi,” esclarece o Dr. Odenice Souto.

Como resultado do crescimento ósseo e do espessamento dos tecidos moles que recobrem a região, surge uma protuberância próximo à base do grande dedo do pé (hálux). “Quando há tendência ao joanete por herança familiar, o uso de calçados estreitos e com saltos altos é ainda mais prejudicial,” ressalta o ortopedista Marco Antônio Ambrósio.

A dor surge logo nos primeiros momentos, acompanhada de vermelhidão local e calosidades. Com o tempo, pode ocorrer o afrouxamento da articulação e dos ligamentos, desviando os tendões e tornando o problema irreversível.

“Os demais dedos vão sendo gradualmente desviados, assumindo diferentes formatos, sempre acompanhados de dor e calosidades. O melhor é prevenir. As mulheres estão mais sujeitas a esse problema, na proporção de oito para cada homem,” afirma o Dr. Marco Antônio Ambrósio.

Depois que o joanete se instala, resta pouco a fazer. Massagens, exercícios, afastadores de dedos, elásticos e aparelhos dos mais diversos tipos não apresentam resultados satisfatórios. “O tratamento cirúrgico é o recurso mais efetivo e dever ser realizado por especialista em medicina e cirurgia do pé, profissional mais atualizado e gabaritado para oferecer o tratamento mais adequado e obter os melhores resultados,” orienta o ortopedista.

Esporão de calcâneo

As dores no calcanhar decorrem, na maioria das vezes, de alterações no equilíbrio dos pés, ou do corpo de modo geral. Podem acontecer por esforço exagerado, como em atletas que realizam treinos forçados, ou devido ao ganho de peso rápido. Podem, ainda, ser a primeira manifestação de doenças inflamatórias.

“O calcâneo é o maior osso dos pés e suporta uma boa parte do peso do corpo quando estamos em pé, andando ou correndo. Dores nessa região podem surgir como resultado do abuso a que submetemos o ‘esporão’ do calcâneo, uma verdadeira “espora” óssea que surge tanto atrás quanto por baixo do calcanhar. Mas é preciso reconhecer que o esporão, sozinho, não é capaz de causa-la. A dor e a inflamação surgem devido ao desequilíbrio entre os músculos da perna e do pé e ao estiramento exagerado de tendões, ligamentos e da fáscia plantar – banda fibrosa que fica na planta dos pés,” explica o médico.

Fascite plantar

A fáscia plantar funciona como uma corda do arco do pé. Ela se distende com o peso do corpo e impede que o pé alcance o solo de forma descontrolada, a cada passo. Denomina-se fascite plantar a inflamação dessa banda, que surge devido ao excesso de exercícios feitos com calçados sem proteção e acolchoamento adequados ao calcanhar.

“Um exemplo clássico é o do sedentário que decide começar a se exercitar para perder peso e, sem prestar muita atenção, calça um tênis velho e surrado e dá incontáveis voltas no parque. No dia seguinte, pode não conseguir sequer ficar em pé. Nesses casos, o repouso oferece algum alívio mas, sempre que iniciar a marcha, ele sofrerá, durante uns oito ou dez passos, com dores lancinantes, em agulhada,” explica o Ambrósio.

No tratamento da fascite plantar é imprescindível identificar todos os detalhes clínicos e físicos que possam influenciar na evolução do quadro, de modo que todos possam ser abordados. É recomendando consultar um ortopedista especialista em medicina e cirurgia do pé.

Dedos fora do alinhamento

O desequilíbrio dos tendões dos dedos dos pés é causado, principalmente, pelo uso de calçados pequenos e apertados. Esse hábito, predominante em mulheres, faz com que os dedos fiquem “encavalados” ou dobrados. O problema predomina em pessoas mais velhas, mas é cada vez mais comum em jovens.

“No início, há apenas um desconforto. Com o tempo, os tecidos se acomodam e passam a manter os dedos na posição deformada. Logo, surgem os calos no dorso dos dedos e também na planta dos pés,” explica o médico. O tratamento se inicia pela escolha correta dos calçados, pela colocação de palmilhas especiais e pela realização de exercícios corretivos supervisionados por fisioterapeutas. Quando as deformidades são rebeldes a essas formas de abordagem, é indicado o tratamento cirúrgico.

Medidas preventivas

A fim de evitar todos esses problemas, o ortopedista Marco Antônio Ambrósio orienta o uso de sapatos confortáveis no dia a dia. Para as mulheres, o ideal é usar salto de até 4 centímetros. Mais do que isso pode ser prejudicial.

“Saltos a partir de 3 centímetros de altura exercem maior pressão plantar sobre o dedão e o segundo dedo, deformando essas articulações. Há um encurtamento da musculatura posterior da perna. Acentua-se, também, a incidência de entorses e fraturas de tornozelo e pé, pois o desequilíbrio aumenta e a velocidade do passo diminui, exigindo mais energia para percorrer a mesma distância. Os melhores tipos de saltos são os confortáveis, de formato quadrado, e os grossos, pois dão maior equilíbrio. Os de dez ou treze centímetros devem ser evitados,” alerta.

Os sapatos sem salto algum, como sapatilhas e sandálias rasteiras, também podem causar problemas, pois ao caminhar o peso do corpo fica dividido entre o calcanhar e a parte da frente do pé, concentrando a carga nos dedos. Outra recomendação é evitar sapatos de bicos finos, que podem causar joanetes. O melhor é optar pela frente retangular ou redonda. “É fundamental cuidar bem dos pés, fazendo hidratação regular, usando sapatos confortáveis,” aconselha o especialista.

Dicas relaxantes

O Dr. Marco Antônio Ambrósio aconselha a misturar uma colher de chá de açúcar com duas colheres de chá de óleo de amêndoas, massagear os pés por 10 minutos e enxaguar bem. Outra dica é escolher um óleo de massagem (gerânio ou rosa) e passe sobre os pés, lenta e cuidadosamente.

 

Fonte: Revista Les Nouvelles
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