O
Sistema Pigmentar e a Formação
da Melanina |
As
melaninas são estruturas ricas em
ligações duplas que absorvem energia nas faixas
do ultravioleta (UV), visível (V) e infravermelho
(IV) e agem como radicais livres¹ não reativos, capaz
de neutralizar os radicais livres produzidos pela pele quando
esta é exposta à luz solar.
O
pigmento melânico compreende dois tipos de melanina:
a eumelanina (coloração
amarronzada e preta) e a feomelanina (coloração amarela e vermelha).
Contrariando alguns conceitos, a coloração final da pele não é resultante
apenas dos pigmentos melânicos, e sim de uma combinação
destes com pigmentos sanguíneos; pigmentos carotênicos; pigmentos
biliares entre outros.
|
As
estruturas responsáveis pela síntese da
melanina são os melanócitos. Estes possuem
em seu interior melanossomas (Figura 1), responsáveis
pelo acúmulo de melanina.
A
enzima responsável pela síntese de melanina é a
tirosinase, que se armazena no interior dos melanócitos.
Nos melanócitos (pré-melanossomas) se inicia
a produção de melanina que, sob a ação
da tirosinase, resulta no melanossoma, onde a melanina é armazenada
após sua produção. Nesse estágio,
o melanossomo passa a ser também denominado de “grânulo
de melanina”. No final desta reação,
os grânulos de melanina com pigmentos melânicos
migram pelos prolongamentos dos melanócitos e são
transferidos para os queratinócitos epiteliais. Na
seqüência, os grânulos de melanina são
aí degradados e a melanina é eliminada na superfície
cutânea ou nos pêlos.
A tirosinase catalisa as etapas A e B da
reação
da melanogênese (Figura 2). Esta enzima oxida a tirosina
em 3,4-diidroxifenilalanina (DOPA) e esta em DOPA-quinona.
Após esta reação no interior dos melanossomas,
a DOPA-quinona pode se combinar
|

FIGURA
1 – Ultra estrutura de um melanócito
FONTE: TOLEDO, 2004, pág. 26 |
com
o oxigênio, resultando em eumelanina, ou pode se
combinar com enxofre, resultando em feomelanina. |
FIGURA
2 – Reações de formação
da melanina |
| A
Defesa Natural da Pele Contra a Radiação |
A
radiação solar ao atingir a
pele provoca diversas alterações como o espessamento
da camada córnea, a indução da sudorese
e desencadeia uma série de reações fisiológicas
que culminam na formação de melanina. A partir
desta constatação, a pele apresenta mecanismos
de proteção para combater os danos que serão
deflagrados após a exposição solar
ou logo quando esta se inicia.
Podem ser citados, a nível dérmico, o próprio
extrato cutâneo (filtra e dispersa a radiação
ultravioleta); a melanina (age como um filtro absorvente
de radiação ultravioleta e seqüestra radicais
livres); a sudorese; antioxidantes enzimáticos e não
enzimáticos, que protegem a pele do efeito fotoxidante;
o ácido ribonucléico (RNA); os pêlos;
os queratinócitos córneos (agem desviando pelo
menos 5% da radiação incidente) e o aminoácido
triptofano. Em nível de derme, podem ser citadas a
hemoglobina sanguínea e a bilirrubina. O manto gorduroso
da pele também atua desviando a radiação
incidente sobre a pele.
A melanina constitui o principal mecanismo de defesa
da pele contra a radiação, originando um engrossamento
da camada córnea, impermeabilizando a pele à radiação.
Em conjunto, ocorre movimento dos melanossomas para o pólo
superior das células, de forma a proteger o material
genético do núcleo dos queratinócitos
contra a radiação ultravioleta.
_____________________
¹ Radical livre é qualquer
espécie química com pelo menos um elétron
não compartilhado na camada de valência. São
altamente reativos devido à instabilidade eletrônica,
podendo reagir com diversos compostos, provocando reações
químicas irreversíveis.
|
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